segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Sua força sempre residiu em não depender de relacionamentos. Ela era livre e só, e gostava disso. A solidão tomava sua mão e juntas conseguiam o que quisessem .
Um dia, porém, de tanto não ser de ninguém, armaram uma armadilha para ela e a aprisionaram . O lugar onde estava era belo e aos poucos a foram domesticando, com palavras dóceis e com o que acreditava ser amor. Pensou que seu verdadeiro destino era estar ali, e em uma atitude um tanto quanto hobbesiana, entregou o seu coração para o cuidado de outra pessoa, para assim aniquilar o caos que levava consigo. Pensara estar assim forte, já esse era seu fim máximo e sua felicidade.
Quando tudo foi quebrado, entretanto, olhou para trás e viu que sua força lá ja não estava.

Será que será assim ? O mundo é assim ? Ela simplesmente não quer nem amar nem se tornar o que antes fora. Já que força demais implica em sentimentos negativos.
Ardor em firme coração nascido;
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido:

tu, que em um peito abrasas escondido;
tu, que em um rosto corres desatado;
quando fogo, em cristais aprisionado;
quando crista, em chamas derretido.

Se és fogo, como passas brandamente,
se és fogo, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!

Pois para temperar a tirania,
como quis que aqui fosse a neve ardente,
permitiu parecesse a chama fria.
          Gregório de Matos