segunda-feira, 5 de julho de 2010

sol na cara monstruoso

Já não conseguia lembrar seu rosto, mas a chaga no meu coração, mesmo depois de tantos anos, persistia, quente, sem nunca cicatrizar por completo.

Era morena, disso me lembro. Cachos e mais cachos caindo sobre sua pele alva, alvíssima.
Era toda rosa. Ficava vermelha fácil com o arranhar dos nossos corpos, quentes, tambem quentes.

Seus olhos dum castanheiro que tragava. Olhos incisivos, maus, agourentos. Olhos lindos. Olhos quentes.
             Não, olhos nada quentes agora. De tão quentes se tornaram frios, tambem frios.

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