quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Amargo

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E voce está aqui. Voce que não era nada. Voce que é nada, é tudo.



 Não se iluda, por favor. Não creia que sua presença é imprescindível para que eu possa respirar, para que eu possa acordar, dormir, andar. Não creia, nunca, que meus pensamentos dirigidos à voce são intencionais, em momento algum me esforço pra lembrar do seu sorriso e do toque macio das suas mãos. Nunca imaginei, mas nunca mesmo, noites intensas ao seu lado, regadas à alcool e música. De modo algum pensaria em construir algo com voce, passar dias, semanas e meses ao seu lado, respirar o mesmo ar que voce, sentir teu gosto ao meu bel prazer. Jamais veio em minha mente o timbre da sua voz, mesclado à sensação de arrepio provocada pela proximidade com minha pele já úmida. Enfim, nunca pense nada isso, porque você saber a verdade, é um pouco demais.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

War

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O vento frio bagunçava seus cabelos, arranhava seu rosto e feria seus lábios, já vermelhos com pequeninas gostas de sangue. Ela não iria sair dali tão cedo. Estava lá a pelo menos umas sete horas olhando para o mar. Em sua cabeça os momentos de ira, de briga, de raiva giravam psicodelicamente, assim como os momentos calmos -poucos- de puro sentimento, mas o que não a largava era o adeus. Ou melhor, o não adeus. A ultima conversa, ultima para ele e comum para ela, que adquiriria um valor imenso para ela depois, mas só depois.

E depois, ah ... depois era tarde demais.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

back to 505

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- Olha pra mim - ele pedia pela milésima vez desde que estavam ali, juntos.
Ela tentava se esquivar, sair dos laços daquele que um dia já fez seus olhos brilharem. Esquivava não por discordar de estar ali, em seus braços, sentindo o gosto doce da sua boca se encontrar com o amargo da própria, ela simplesmente não achava correto.
- me larga, vai - exclamava ela, querendo sem querer fugir dali
- não. nunca. você é minha. olha pra mim anjo, você quer e eu tambem, nada nos impede.
E como sempre, o desejo dela se tornara maior que o bom senso, que a sua lucidez e então ela se entregou para o que seria mais uma vez uma aventura de ilusões.


O que ele não sabia é que sim, muita coisa os impedia, coisas que ele nunca entenderia. Ela, quem ?

domingo, 17 de janeiro de 2010

E foi ?

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O sol já ia. Ou será já vinha ? A dor de cabeça terrível fazia com que fosse sobrehumana a capacidade de perceber algo além da própria dor.
Dores assim são ocasionadas por poucas e boas.
Valeu a pena ? Todo aquele diz que diz, que sempre acaba em não diz. Toda aquela sensação de domínio, por parte do outro - sempre.



Se valeu não sei. Mas que foi, foi. É.